José Geraldo Vieira

Escritor

Romancista

Crítico de arte

(16/04/1897 - 17/08/1977)

LIVROS

A Mulher que Fugiu de Sodoma (1931)

Território Humano (1936)

A Quadragésima Porta (1943)

Carta a Minha Filha em Prantos (1946)

A Túnica e os Dados (1947)

A Ladeira da Memória (1950)

O Albatroz (1952)

Terreno Baldio (1961)

A Mais que Branca (1973)

Paralelo 16: Brasília (1966)

Opiniões

Dizia Agripino Grieco em seu "Caçadores de Símbolos" (1923) a respeito do autor de "A Ronda do Deslumbramento": "É obra de um admirável instrumentador da prosa que chama à alegria, divina alegria e não está longe de incluir a dor, no número das belas-artes"

Críticos literários reconheceram o seu valor e posicionaram-no devidamente em nossas letras.  Entre eles citam-se: Tristão de Athayde, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Álvaro Lins, Sérgio Milliet, João Ribeiro, Mário de Sérgio Brito e tantos outros.           Sobre ele autores consagrados se pronunciaram:

Jorge Amado: “ Poucos romancistas contribuíram com tanta coisa nova para a novelística brasileira quanto JGV.  Não sei de figura mais nobre no cenário atual de nossa literatura.”

Érico Veríssimo: “Aqui está o grande mestre do romance brasileiro de hoje.”

Antônio Cândido: “Na literatura brasileira JGV guardará o mérito de ter levado a cabo a ruptura mais pertinente com a aparência sensível, abrindo deste modo uma nesga para explorações mais ousadas da alma humana”

Sérgio Milliet: “Rompe o romance de JGV as fronteiras da simples narração, da anedota, e até da pesquisa psicológica, para elevar-se às esferas transcendentes da antropologia filosófica.  Sua inteligência o eleva acima do formigueiro atarefado, mas sua humanidade o integra na tragédia sem fim.  Daí o valor profundo de sua obra, na qual, como um Huxley ou um Jules Romains, em seus romances, sobrepuja os próprios erros para alcançar um clima em que se justificam os mais absurdos intelectualismos.  Nas epopéias só há lugar para os heróis: Na Quadragésima Porta não cabem os indivíduos vulgares (...)” .

Wilson Martins: ”O Sr. JGV tem o gênio literário, é na literatura brasileira uma das mais eminentes encarnações do escritor, do romancista (...).”

Nelson Werneck Sodré: “JGV realizou em A Túnica e os Dados um milagre de técnica literária, com alguns lances verdadeiramente magistrais.”

Cassiano Ricardo:” Quando se procurar saber até onde a poesia pode interessar à técnica do romance moderno, a obra de JGV será estudada num dos seus mais fascinantes aspectos.”

Mario da Silva Brito: “JGV dá novas dimensões ao romance brasileiro e se põe, em nossa história literária, como um marco a partir do qual as gerações futuras encontrarão o primeiro pouso em que buscar os efeitos de uma longa jornada pelo universo da inteligência”.

Antônio Olinto:” É de solidão a trajetória de JGV no romance brasileiro.  E talvez o tema de Camus pudesse a ele se aplicar: solitário e solidário”.

Adonias Filho: “Aquele impressionismo, que encontra um correspondente em todos os artistas modernos, que se diria escapar dos nervos de um tempo apocalíptico, quase uma mensagem técnica involuntária, é o que enraíza O Albatroz no sólido chão da estrutura revolucionária”.

"A Mulher que Fugiu de Sodoma", incontestavelmente um grande romance brasileiro, é livro que resistirá e vencerá o tempo. - Hamilton Nogueira.

Com "A Quadragésima Porta" a nossa literatura se enriquece de uma nova solução. Com êste romance iniciamos uma nova etapa. Rompemos o nosso isolamento e entramos na agitação do mundo. Saímos da aldeia para a metrópole. - Sérgio Milliet.

Biografia

            Carioca, descendente de açorianos, e tendo ficado órfão de pai e mãe aos onze anos, passou a morar com um tio pelo lado materno, que o adotou como filho (e que se tornaria o personagem Zéio do romance Território Humano).  Em 1908, matriculou-se no internato do Colégio Santa Rosa, de Niteroi, dirigido pelos padres Salesianos, e em 1914 entrou na velha Faculdade de Medicina da Praia de Santa Luzia, vindo a pertencer à primeira turma de doutorandos da nova Faculdade da Praia Vermelha, onde apresentou a tese "O Instinto Sexual".  Nesse período de seis anos produziu  poesias, publicadas nas revistas do Rio – Fon-Fon e Careta, e elaborou contos em mesas boêmias dos cafés São Paulo e Belas-Artes.  Foi na Biblioteca Nacional e nas livrarias Garnier e Briguiet que o antigo leitor das antologias nacionais, intensificou seu gosto pela literatura, que ampliaria mais tarde nas livrarias da Rive Gauche, em Paris.

             Em fins de dezembro de 1919 concluiu a tese de formatura (O Instinto Sexual), e compôs o poema em prosa “O Triste Epigrama”, influenciado pela estrutura da Balada do Cárcere, de Oscar Wilde.  Mandou publicá-la em edição de luxo em janeiro de 1920, quando já a caminho da Europa.

            A partir de 1920 cursou Radiologia em universidades e hospitais, na França e Alemanha.  Antes de regressar  mandou publicar aqui o acervo literário do tempo de juventude, uma série de contos acrescida com trabalhos escritos em Montparnasse e Saint-Germain.  O livro recebeu o título de “Ronda do Deslumbramento”.  A quem estranhar que esses contos realistas e simbolistas surgissem em livro do ano da famosa Semana de Arte Moderna de 22, fica explicado que seu autor ainda se achava na Europa.

            Em 1941 escritor mudou-se pára Marília, no Estado de São Paulo, e posteriormente para a cidade de São Paulo, onde abandonou medicina pela  literatura, e iniciou o ofício de tradutor.  Entre outros autores de primeira qualidade, traduz Dostoiewski, Pirandello, James Joyce, Steinbeck, Stendhal,  Tolstoi e outros . 

           Em sua militância na crítica de Artes Plásticas, foi durante vinte anos crítico oficial da Folha de São Paulo e cerca de dez anos diretor da revista Habitat, havendo sido membro de júris de seleção da Bienal de São Paulo e duas vezes presidente do júri internacional de premiação.

         Ocupou  a vaga de Monteiro Lobato na  cadeira nº 39 da Academia Paulista de Letras, para a qual foi eleito pôr unanimidade em 1948.

        Toda crítica de arte escrita nos jornais e na revista Habitat foram levantados e posteriormente publicados pela USP, com organização de José Armando Pereira da Silva.

Tel: (21) 2267-8493  E-mail: pedro.vieira@uol.com.br

Contato

São detentores dos direitos autorais os filhos do escritor, em condomínio. Para qualquer contato, procurar Pedro Henrique Camara Vieira.